
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
sábado, 3 de janeiro de 2009
(des)concordância literal
Estive pensando sobre as tais passarelas e vitrines que são expostas por aí e a posição mitológica que estes aparatos da moda ocupam. O escritor Roland Barthes diz com muita propriedade em seu livro Mitologias, que ao contrário do que pensa o senso comum, o mito não é criado a partir de um sistema intuitivo, mas de um sistema semiológico dotado de signos e valores. Penso eu, que a indumentária e o ato de vestir também envolve um exercício de concordância dos signos, de maneira que se constitua assim, uma linguagem. Portanto, um look está para uma frase, para um texto, assim como as peças e acessórios estão para as palavras, verbos, adjetivos, etc. Dessa forma, nos atentamos às múltiplas regras do discurso formal, tais como concordâncias e acentuações. Algumas vezes, como atualmente, ficamos ainda à mercê das mudanças desses formalismos, ou mesmo da correção de um outro ser superior, cuja função é corrigir, baseados numa gramática maior, pouco interessada no corriqueiro, na linguagem (tão) falada. Assim, a escolha do errado pode não ser uma escolha de fato, mas a possibilidade de enriquecimento do discurso pode estar baseado numa combinação, um tanto desviada.
Será que estes dois estilosos , new rave style, (des) concordaram tantos superlativos propositadamente? Ou seria uma espécie de brainstorm?

Flávia Virgínia